E essa eterna sensação de estar comprando dinheiro, fritando frigideira, cavando pá, fotografando foto, amando o amor, odiando o ódio, trocando o que já se tem pelo que ainda se tem. Jáinda. Não se fazem mais antigamentes como futuramente.

Michel Melamed (via pipocacomguarana)

Trecho de 'Em Jerusalém': poema de Tamim al-Barghouti
Tradução de Safa A.C. Jubran

Passamos na casa do amado, mas pela lei do inimigo e por seu muro fomos barrados
Disse a mim mesmo: talvez seja uma benção; o que verá em Jerusalém afinal?
Verá tudo que não suporta ver, quando suas casas começam a aparecer ao lado da via.Nem tudo no encontro do amado é alegria, e nem toda ausência o magoa.Já que alegria do encontro cessa com a partida, tal alegria não era então garantida.Se seus olhos virem Jerusalém uma vez, só verão a Jerusalém por onde olhar.

Em Jerusalém, um quitandeiro da Geórgia, entediado com sua mulher, pensa em tirarférias ou pintar a casa;Em Jerusalém, uma Torá, e um homem de meia-idade, vindo de Alto Manhattan, ensinaos jovens poloneses como ler a Torá;Em Jerusalém, um policial da Etiópia fecha uma rua no mercado;   
  uma metralhadora no ombro de um colono adolescente,  um chapéu cumprimentando o Muro das Lamentações,  turistas europeus loiros que não veem absolutamente nada de Jerusalém, mas você  os vê tirando fotos uns dos outros ao lado de uma mulher que vende nabo nas praças  todo dia.Em Jerusalém, há cercas de manjericãoEm Jerusalém, há barricadas de cimentoEm Jerusalém, soldados marcham com suas botas sobre as nuvens;Em Jerusalém, rezamos sobre o asfalto;Em Jerusalém, qualquer um está em Jerusalém, exceto você.

Trecho de 'Em Jerusalém': poema de Tamim al-Barghouti

Tradução de Safa A.C. Jubran

Passamos na casa do amado, mas pela lei do inimigo e por seu muro fomos barrados

Disse a mim mesmo: talvez seja uma benção; o que verá em Jerusalém afinal?

Verá tudo que não suporta ver, quando suas casas começam a aparecer ao lado da via.

Nem tudo no encontro do amado é alegria, e nem toda ausência o magoa.

Já que alegria do encontro cessa com a partida, tal alegria não era então garantida.

Se seus olhos virem Jerusalém uma vez, só verão a Jerusalém por onde olhar.

Em Jerusalém, um quitandeiro da Geórgia, entediado com sua mulher, pensa em tirar
férias ou pintar a casa;

Em Jerusalém, uma Torá, e um homem de meia-idade, vindo de Alto Manhattan, ensina
os jovens poloneses como ler a Torá;


Em Jerusalém, um policial da Etiópia fecha uma rua no mercado;
   

  uma metralhadora no ombro de um colono adolescente,

  um chapéu cumprimentando o Muro das Lamentações,


  turistas europeus loiros que não veem absolutamente nada de Jerusalém, mas você
  os vê tirando fotos uns dos outros ao lado de uma mulher que vende nabo nas praças
  todo dia.

Em Jerusalém, há cercas de manjericão

Em Jerusalém, há barricadas de cimento

Em Jerusalém, soldados marcham com suas botas sobre as nuvens;

Em Jerusalém, rezamos sobre o asfalto;

Em Jerusalém, qualquer um está em Jerusalém, exceto você.

Escola Indígena Estadual Guarani Kuery Renda.Aldeia Sapukai, Angra dos Reis/RJ/Brasil
Computador ou “caixa de guardar a língua” em Mbya Guarani

Escola Indígena Estadual Guarani Kuery Renda.Aldeia Sapukai, Angra dos Reis/RJ/Brasil

Computador ou “caixa de guardar a língua” em Mbya Guarani

SoproAtente os seus ouvidosMais às coisas que aos SeresÀ voz do Fogo, fique atento, Ouça a voz das Águas.Ouça através do VentoA Savana a soluçar É o Sopro dos ancestraisOs que faleceram jamais se foramEles estão na Sombra que se iluminaE na sombra que se enegrece.Os Mortos não estão sob a TerraEles estão na Árvore que freme,Estão na Madeira que geme,Estão na Água que dorme, Estão na Cabana, estão na MassaOs mortos não estão mortos. Atente os seus ouvidosMais às coisas do que aos SeresÀ voz do Fogo, fique atento, Ouça a voz das Águas.Ouça através do VentoA Savana a soluçar É o Sopro dos ancestraisQue jamais se foramQue não estão sob a TerraQue não estão mortos.Os que faleceram jamais se foram:Estão no Seio da Mulher,No vagido da CriançaE na brasa que inflama.Os Mortos não estão sob a TerraEles estão no Fogo que se apaga,Estão nas Ervas que choram,Estão na Rocha que range,Estão na Floresta, na Cabana, Os Mortos não estão mortos.Atente os seus ouvidosMais às coisas do que aos SeresÀ voz do Fogo, fique atento, Ouça a voz das Águas.Ouça através do VentoA Savana a soluçar É o Sopro dos ancestraisTodo dia ele refaz o PactoO grande Pacto que prende,Que prende à Lei nosso Destino,Aos Atos dos Sopros mais fortesO Destino de nossos Mortos que não estão mortos, O pesado pacto que nos liga à Vida,A pesada Lei que nos ata aos Atos, Dos Sopros que morremNo leito e às margens do Rio,Sopros que se movemNa Rocha que range e na Erva que choraSopros que permanecemNa sombra que ilumina e se enegrece,Na Árvore que freme, na Madeira que gemeE na Água que corre e na água que dorme,Sopros mais fortes que tomaram O Sopro dos Mortos que não estão mortos, Dos Mortos que não partiram,Dos Mortos que não estão mais sob a Terra.
Sopro, Birago Diop

Sopro

Atente os seus ouvidos
Mais às coisas que aos Seres
À voz do Fogo, fique atento,
Ouça a voz das Águas.
Ouça através do Vento
A Savana a soluçar
É o Sopro dos ancestrais

Os que faleceram jamais se foram
Eles estão na Sombra que se ilumina
E na sombra que se enegrece.
Os Mortos não estão sob a Terra
Eles estão na Árvore que freme,
Estão na Madeira que geme,
Estão na Água que dorme,
Estão na Cabana, estão na Massa
Os mortos não estão mortos.

Atente os seus ouvidos
Mais às coisas do que aos Seres
À voz do Fogo, fique atento,
Ouça a voz das Águas.
Ouça através do Vento
A Savana a soluçar
É o Sopro dos ancestrais
Que jamais se foram
Que não estão sob a Terra
Que não estão mortos.

Os que faleceram jamais se foram:
Estão no Seio da Mulher,
No vagido da Criança
E na brasa que inflama.
Os Mortos não estão sob a Terra
Eles estão no Fogo que se apaga,
Estão nas Ervas que choram,
Estão na Rocha que range,
Estão na Floresta, na Cabana,
Os Mortos não estão mortos.

Atente os seus ouvidos
Mais às coisas do que aos Seres
À voz do Fogo, fique atento,
Ouça a voz das Águas.
Ouça através do Vento
A Savana a soluçar
É o Sopro dos ancestrais

Todo dia ele refaz o Pacto
O grande Pacto que prende,
Que prende à Lei nosso Destino,
Aos Atos dos Sopros mais fortes
O Destino de nossos Mortos que não estão mortos,
O pesado pacto que nos liga à Vida,
A pesada Lei que nos ata aos Atos,
Dos Sopros que morrem
No leito e às margens do Rio,
Sopros que se movem
Na Rocha que range e na Erva que chora
Sopros que permanecem
Na sombra que ilumina e se enegrece,
Na Árvore que freme, na Madeira que geme
E na Água que corre e na água que dorme,
Sopros mais fortes que tomaram
O Sopro dos Mortos que não estão mortos,
Dos Mortos que não partiram,
Dos Mortos que não estão mais sob a Terra.

Sopro, Birago Diop